O “eterno” Josenildo, em atividade, aos 46 anos

Site FutRio publica entrevista com o treinador de goleiros do São Cristóvão, que também pode entrar em campo



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Muitos dizem que a carreira de jogador de futebol é curta. Teoricamente sim. Porém, para outros, pode se tornar longa. Já imaginou um goleiro no futebol profissional com 46 anos? Pois é isto que vemos na segunda divisão do Campeonato Estadual, mais especificamente no São Cristóvão.

Com tamanha experiência no futebol profissional, Josenildo Francisco da Silva Bellot, é conhecido entre todos do São Cristóvão como Bellot. Já no álbum de figurinhas do campeonato carioca de 1988, apenas como Josenildo. Lá, Josenildo figura ao lado de grandes nomes de futebol nacional, como Edu Coimbra, o goleiro Paulo Sérgio, o meia Elói, entre outros. Atual dirigente do clube, também acumula a função de treinador de goleiros e, numa emergência, está apto a entrar em campo.

O São Cristóvão atualmente tem problemas com seus goleiros. Apenas o titular Max está disponível. Com isso, até o fechamento desta matéria, Josenildo ficou no banco de reservas em 7 jogos. E o veterano goleiro conversou com nossa equipe, contando um pouco de suas experiências.


FutRio: Josenildo, como começou sua carreira?

JOSENILDO: Comecei no America, nas categorias de base. Tinha 12 anos de idade. E ali, quando tinha 14 anos, tomei o primeiro gol da carreira do Romário. Descobriram isso há pouco tempo. Marcou minha carreira depois de um tempo.

FutRio : Você levou o primeiro gol do Romário?

JOSENILDO: Descobriram em 2006 para 2007. Saiu em jornais, televisão. Até teve uma homenagem que ele me convidou pra ir lá. Ele homenageou os goleiros que marcaram em sua vida. Fui eu, que levei o primeiro gol, o Wagner, que levou mais gols, e o Magrão que sofreu o milésimo. Foi uma festa muito bonita. Eu até falei pra ele: foi o único gol que eu gostei de levar na minha vida. Um gol de um cara com história brilhante.

FutRio: E sua primeira partida no futebol profissional?

JOSENILDO: Foi contra o Colatina-ES. Eu era juniores na época. Houve um problema com o Gasperin, que era o goleiro do America, e eu fui solicitado dos juniores para fazer uma partida contra eles. Foi num jogo amistoso. Valendo pontos foi no Campeonato Brasileiro. Contra o Palmeiras. Vencemos por 1x 0. Estávamos numa fase difícil e isso pra mim marcou muito. Foi em 1988. É uma satisfação muito grande ter jogado num clube querido como o America. Hoje fico triste em saber da situação do time.

FutRio: Falando em America, você saiu no álbum de figurinhas do Campeonato Carioca de 1988. Na época não tínhamos internet, fácil acesso à mídia, e grandes guias esportivos. Como foi a emoção de ver seu rosto no álbum, que era febre na época?

JOSENILDO: Aquilo para todos os jogadores era uma coisa marcante. Não é igual a hoje que temos internet, jornais de tudo que é lado, a imprensa… Tudo que acontece tá todo mundo sabendo em qualquer lugar do mundo. Não era igual aquela época! Era novidade. Quando antecedia os campeonatos eles procuravam os clubes para tirar foto dos jogadores. Pra gente era uma satisfação muito grande. E que, na época, dava algum lucro pra gente. Era muito satisfatório quando chegava num local, principalmente a criançada, que vinha com figurinha sua falando que “te viu aqui, te viu ali”. Na época era uma febre entre os jogadores para sair no álbum. Como que se você tivesse numa situação privilegiada de uma Seleção Brasileira. Isso pra gente era muito satisfatório.



Time do America no álbum do Estadual no ano de 1988

FutRio : A sua figurinha deu pra pagar o quê?

JOSENILDO: Era um dinheiro significante. Entre dois e três salários mínimos que você recebia. Uma gratificação extra. Você tirava a fotografia, assinava os documentos e recebia por aquilo. Valia à pena. Hoje até tem. Mas acredito que seja em menor proporção.

FutRio : Isso fica pra mostrar pros netos?

JOSENILDO: É importante. Meu filho me acompanha desde criança. Pra ele é uma satisfação. E ele está na mídia. É o MC Bellot. Ele sempre fala: “Pai, é legal ver o senhor vestido novamente, retornando aos gramados.” Sempre treinei. Eu nunca parei de treinar. É por isso que o Presidente do clube sempre me inscreve nas competições, me deixa de stand by para uma eventualidade, como aconteceu agora. Machucaram dois goleiros, outro teve problema e outro foi pro Sul. Infelizmente ficamos sem saída. Não tinha outra opção se não me colocarem no banco. E eu estou voltando a treinar até com mais afinco. Se precisarem de mim, tenho que atuar.

FutRio : Você não chegou a atuar neste ano?

JOSENILDO: Até agora não. Fiquei 7 partidas no banco e devo ficar mais.

FutRio : Você jogou em quantos clubes? Quais?

JOSENILDO: Se não me engano foram 16: America, Novo Horizontino, que hoje está extinto, Anapolina, Santo André, Goiânia, Villa Nova-GO, Atlético Goianiense, Goiás, Goiatuba, Santa Cruz, XV de Jaú, Portuguesa-SP, Porto de Caruaru, onde tive uma fratura muito séria e fiquei 8 meses parado. Isso marcou minha vida negativamente. Perdi muita coisa devido a isso. Depois retornei pro Anápolis, onde fui vice-campeão. Aí voltei pro Rio onde estou no São Cristóvão até hoje. Até teve um empréstimo de 3 meses para a Portuguesa Carioca em 2005.

FutRio : Com quais grandes goleiros você trabalhou?

JOSENILDO: Trabalhei com o Paulo Sérgio, que jogou no Botafogo e na Seleção de 82. O Valdir Perez, quando estava subindo dos juniores, também da Copa de 82. O Ernani, que infelizmente morreu novo com problemas sanguíneos. Me espelhava muito nele. Aprendi muito com ele. O Zé Carlos, que teve uma época no América. O próprio Gasperin. Passaram grandes goleiros na época que eu estava na base do America. Observava muito e aprendi bastante. O último foi o Paulo Sérgio. Depois ele parou e eu continuei minha carreira. Ele fraturou o dedo no Maracanã num jogo contra o Vasco. E tem também o Carlos Pracidelli, que foi meu reserva em 91. Ele foi o treinador de goleiros do Brasil na Copa de 2002.

FutRio : Pra você, qual foi o melhor?

JOSENILDO: O Paulo Sérgio. Eu disputei duas competições com ele. Uma viagem na Europa… Ficamos amigos. Aprendi as malandragens dentro do gol. Aquelas coisas todas de estar acompanhando um cara de nível de Seleção, que tive contato direto logo que cheguei ao profissional. Os outros, eu tinha contato, porém mais distante. Com o Paulo Sérgio foi direto. Também teve o Sérgio, que era do Santos, com quem trabalhei no Goiás. Ele estava saindo, trabalhamos por dois meses. Foi um cara que tive um bom contato e aprendi bastante. Vim do Villa Nova, onde fui campeão e ele vice. Assim que cheguei tivemos um bom contato. Hoje ele é treinador (Sérgio Guedes).

FutRio : E quando foi a última vez que jogou?

JOSENILDO: Este ano fiz três jogos amistosos. Um contra o Arraial do Cabo, a Portuguesa da Ilha e a seleção da Marinha, que estão treinando para disputar um torneio fora do Brasil.

FutRio : Se precisarem de você no ano que vem, vai estar inscrito de novo?

JOSENILDO: Acho que sempre vai ter essa solução, né? Porque eu ando treinando. A idade até chegou pra mim. Mas as condições físicas e técnicas ainda estão boas.

Um comentário:

  1. Boa noite,

    Muito obrigado por terem republicado minha matéria. Fiquei feliz com isso.

    Posso pedir um favor? Além do nome da empresa, Coloquem meu nome também, como autor da matéria.

    Sucesso,

    Victorino

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